Publicar em Musicoterapia

A publicação científica em Musicoterapia é fundamental para ampliação da área.

Muitas/os Musicoterapeutas e estudantes de Musicoterapia enfrentam cotidianamente a sensação enfadonha e cansativa de precisar explicar o que fazemos e como as pessoas que atendemos se beneficiam das intervenções musicoterapêuticas em diferentes contextos.

Publicar artigos científicos, livros ou capítulos de livros é uma forma de colaborar ativamente com o desenvolvimento técnico-científico da Musicoterapia e com sua promoção.

Por que? Particularmente acho que a Musicoterapia é potente demais para seguir tão desconhecida em pleno 2020. E publicar é uma forma de visibilizá-la.

Como forma de incentivar colegas e amigas/os da área, divido um pouco do que acredito que possa ajudar nessa produção científica, ainda desconfortável para grande parte das/dos profissionais Musicoterapeutas. Com algumas perguntas iniciais:

- Eu não sou pesquisador(a)...
Não é à toa que a/o Musicoterapeuta é um profissão de formação em nível superior no Brasil. Isso significa que para além de uma aplicação técnica ou prática da Musicoterapia, nós estudamos com profundidade as complexas relações produzidas e vividas num processo musicoterapêutico. Assim, somos além de clínicas/os, pesquisadoras/res por formação. E precisamos ocupar este espaço.

- O que eu publico?
Acredito que quase 100% das/dos Musicoterapeutas que se formaram em instituições de formação sérias construíram trabalhos de conclusão de curso (TCCs) ou então minimamente rascunharam trabalhos, ideias em relatórios clínicos de estágios e afins. Talvez seja mais fácil começar por algo que você já escreveu ou tem minimamente interesse em escrever.

- Em que revista devo publicar?
Isso depende muito de que público você pretende alcançar. Você quer que colegas Musicoterapeutas leiam o seu trabalho? Publique em periódicos da área como a Revista Brasileira de Musicoterapia (RBM) ou a Revista InCantare. Porém, se você quer que outras/os profissionais conheçam sobre o que você faz, busque periódicos de grandes áreas do tema estudado. Por exemplo, revistas de saúde pública, medicina e/ou infectologia no meu caso que tenho interesse na interface entre Musicoterapia, Infectologia e pessoas vivendo com HIV.

- Escolhi uma revista e agora?
É preciso ajustar o trabalho às normas de publicação de cada revista. E talvez aqui muitas/os desistam do processo de produção científica. Contudo, é possível contar com um normalizador/revisor do trabalho que o ajuste às normas, adequando as referências, citações e qualificando o texto. Em seguida, é necessário submetê-lo para avaliação da revista.

- Como funciona o processo de publicação?
O modelo mais frequente de publicação em revistas/periódicos funciona com revisão às cegas. Geralmente, duas/dois pareceristas, com conhecimento na temática do seu trabalho, irão avaliá-lo e emitir pareceres concordando, pedindo correções ou rejeitando seu trabalho, sem ter informações sobre sua identidade a fim de minimizar o impacto subjetivo da avaliação.

- E o que eu posso publicar em Musicoterapia?
Os caminhos da produção científica em Musicoterapia são tão infinitos quanto às demandas que atendemos. É possível escrever estudos de caso de temas diversos, é possível propor construções teórico-filosóficas de abordagens em Musicoterapia, é possível pensar a organização política e profissional de Musicoterapeutas, é possível construir trabalhos em parceria com colegas de outras profissões, é possível discutir sobre a implantação de serviços de Musicoterapia e assim por diante.

- E depois?
Inclua a publicação em seu currículo na Plataforma Lattes, no Orcid, Research Gate e afins. Apresente o trabalho em eventos técnico-científicos, especialmente os que são fora da área de Musicoterapia. Publicizar o trabalho é fundamental para que mais pessoas tenham acesso a ele e conheçam o que fazemos! Além de facilitar o ingresso em programas de pós-graduação como mestrados e doutorados, suas publicações colaborarão com o crescimento da Musicoterapia.

Espero que, com o passar dos anos, o quantitativo de trabalhos científicos da Musicoterapia continue crescendo e cada vez menos precisemos responder à pergunta "O que é Musicoterapia?".

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Dr. Lázaro Castro
Musicoterapeuta
CPMT 346/20-PR
Associação de Musicoterapia do Paraná