O que fazer quando zoam sua profissão

Texto original Kimberly Sena Moore em Music Therapy Weaven
Publicado em 29 de agosto de 2013


O que fazer quando zoam sua profissão

Eu amo a musicoterapia. Eu sou fascinada com a sua ciência, com sua arte e com a humanidade nela! É intelectualmente e emocionalmente desafiante e recompensadora. Eu escolhi a musicoterapia como o trabalho da minha vida. Não importa em qual "trabalho" eu esteja - questões de regulamentação e associações, estudante de pós-graduação, professora assistente ou clínica - Eu sou uma Musicoterapeuta!


Então vocês podem imaginar como fico irritada quando leio que, de acordo com a Fundação Autismo Ciência (ASF - Autism Science Foundation), musicoterapia é um "tratamento psicológico e comportamental não-baseado em evidências":

"Musicoterapia: A musicoterapia tem como objetivo minimizar deficiências cognitivas, comportamentais, sociais e sensório-motoras em indivíduos com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Embora a musicoterapia possa ser gratificante para os indivíduos com TEA, não há nenhuma evidência científica forte para a sua eficácia em melhorar o funcionamento." (Sublinhado acrescentado para dar ênfase)

Minha primeira reação a declarações como estas é de defesa. É aquela luta inicial, fuga ou reação de congelamento que os nossos corpos apresentam quando se percebe uma ameaça potencial, mesmo uma de natureza intelectual. 

Mas quando eu leio mais de perto eu percebo algumas coisas. Primeiramente, como na maioria dos casos, as pessoas que afirmam que a musicoterapia "não funciona" não fizeram seu dever de casa. Seja por ignorância, falta de experiência, ou uma falta de vontade de estarem abertas para novas ideias, esses opositores não entendem o que a musicoterapia realmente é. 

- Eles não estiveram lá quando um(a) musicoterapeuta qualificada/o usou uma baixa, suave, e lenta linha vocal para ajudar a organizar o sistema de recém-nascidas/os, regulando sua frequência cardíaca e sua respiração.

- Eles não testemunharam como uma música específica pode disparar reações em idosas/os com Alzheimer avançado ou como a/o musicoterapeuta pode então usar essa reação para criar um momento real de conexão com entes queridos que estão presentes.

- Eles não viram como a música pode abrir caminhos para a comunicação interrompida que comumente ocorre em crianças com espectro autista, iniciando assim um processo que permite que a criança se engaje e se comunique com os outros.

Em segundo lugar, nesse caso em particular, a Fundação Autismo Ciência tem uma definição muito limitada do que considera "prática baseada em evidência". No meu entendimento, a melhor forma de uma prática ser baseada em evidência é integrar a pesquisa disponível sobre a experiência e sabedoria de clínicas/os com os valores de suas/seus clientes. A Fundação Autismo Ciência somente utiliza um dos três critérios para esta abordagem: para ser considerado baseado em evidências, um tratamento deve ser cuidadosamente investigado em vários estudos científicos bem delineados e mostrar melhorias mensuráveis e sustentadas em áreas específicas.

Assim, na minha perspectiva, parece que a Fundação Autismo Ciência não só tem um entendimento limitado da própria musicoterapia, mas tem um entendimento também limitado do que considera "baseado em evidências".

Infelizmente, porém, o problema ainda está aí. Então, o que um(a) musicoterapeuta pode fazer quando confrontada/o com uma situação como esta?

Bem, podemos ficar com raiva disto, agarrando e lamentando o fato de que nós sentimos que estamos sempre justificando o trabalho que fazemos.

Ou... podemos ver isso como uma oportunidade para educar e compartilhar esta maravilhosa paixão que temos com os outros. Nós podemos enviar cartas. Podemos submeter nossa própria evidência (eu sei que algumas/uns de vocês aí fora tem bibliografias sobre musicoterapia e autismo). Podemos convidar nossas/os clientes a apresentarem suas apreciações/experiências e compartilhar como a musicoterapia ajudou sua amada/seu amado.

Podemos optar por usar esses momentos - estes desafios - de uma forma positiva, pró-ativa, e profissional. Todos os dias, sempre.

Tradução livre pelo autor da página Literatura Musicoterápica